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Deputado Estadual Traiano Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná

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O enigma do eleitor, por Ademar Traiano Por Ademar Traiano | 14/03/2018

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Durante mais de dois anos o brasileiro vem sendo submerso, diariamente, por notícias de denúncias de corrupção que atingiram alguns dos principais políticos do país. Dessas denúncias, algumas se revelaram inconsistentes, outras resultaram em condenações e prisões.

Mas qual o efeito desse tsunami de escândalos sobre o eleitor que vai eleger o novo presidente este ano? Uma pesquisa CNT/Ibope tentou medir o que mudou na cabeça do brasileiro a partir dessa exposição a tanta baixaria. Os resultados dão pistas sobre o que mudou e o que o eleitor quer. Confira alguns deles.

Para 87% dos entrevistados, é muito importante que o candidato à Presidência da República além de ser honesto não minta na campanha. Ser franco com o eleitor parece ser mais importante do que pensar como ele. A pesquisa sinaliza que 66% preferem votar em um candidato honesto, mesmo que defenda políticas com as quais não concorda.

Além de um candidato honesto, que não minta na campanha, a maioria dos eleitores almeja um candidato que transmita confiança (82%); que tenha pulso firme (78%), que acredite em Deus (67%) e uma maioria estreita prefere votar em quem teve origem modesta (52%).

Pesquisa, que acaba de sair, mostra que o repúdio aos políticos não será o tema dessas eleições. Apenas 29% consideram experiência política um defeito. Para 47% é importante que o candidato a presidente tenha experiência como deputado, prefeito ou governador. Ou seja, quem tiver um bom trabalho a apresentar, será reconhecido.

Por outro lado, um candidato que se proclame ateu vai largar em forte desvantagem. Já que 67% dos eleitores acreditam ser importante que o candidato tenha fé religiosa. Mas, sinal dos novos tempos, os que consideram muito importante que o candidato seja da mesma religião que eles formam uma minoria de 29%.

A origem social humilde passou a ser um ativo político que sobreviveu a desgraça política de Lula, que fez dessa característica parte importante de seu marketing pessoal. Mais da metade (52%) dos brasileiros prefere candidatos que venha de uma família pobre. Para 8% a origem social do candidato é indiferente e 38% discordam em parte ou totalmente da relevância de o candidato ter origem humilde.

Por outro lado, para 62% dos entrevistados é necessário que o candidato tenha uma família bem estruturada. Essa característica, por sinal, é a oitava mais valorizada entre as 11 que foram consideradas.

Para 89% dos entrevistados o candidato precisa conhecer os problemas do país; para 77%, ter experiência em assuntos econômicos. Para 74%, ter boa formação educacional é importante. Sinal de que Lula, com sua apologia à ignorância, não triunfou nesse quesito.

Para 44% dos brasileiros o principal foco do novo presidente deve ser mudança social, com melhoria das áreas de saúde, educação, segurança e desigualdade social. Outro grupo foca menos em pautas sociais e mais na eficácia econômica e na moralização.

Para 32%, é preciso haver moralização administrativa, com combate à corrupção e a devida punição dos corruptos. Para 21%, o foco deve ser a estabilização da economia, com queda definitiva do custo de vida e do desemprego.

Apesar de a maioria ainda não ter se dado conta ainda que a estabilidade econômica é um parâmetro crucial, 92% consideram importante ou muito importante que o candidato à presidência defenda o controle dos gastos públicos.

O ceticismo aumentou. A maioria (75%) simplesmente não acredita em promessas de campanha. De acordo com o levantamento, 44% das pessoas estão pessimistas em relação à eleição presidencial de 2018 e 20% estão otimistas; outros 23% não estão nem otimistas, nem pessimistas.

É uma massa de dados, alguns aparentemente conflitantes, que precisa ser decodificada para decifrar a cabeça do eleitor. Quem não resolver o enigma não será eleito, mas devorado por ele.

* Ademar Traiano é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e vice-presidente do PSDB do Paraná